acústico Renato Teixeira http://www.youtube.com/watch?v=Cndg4_2ZQQM
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Novo sertanejo
acústico Renato Teixeira http://www.youtube.com/watch?v=Cndg4_2ZQQM
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
INSPIRAÇÃO
A fotografia de Ed Ferreira publicada no Caderno Metrópole do Estadão de hoje, 4a feira, 3 de fevereiro de 2010, serve de inspiração para os que estão lá dentro do Congresso. Para bom entendedor...
Neta
para ver foto ampliada, é só clicar em cima
domingo, 17 de janeiro de 2010
IMAGENS DE UM FILME

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Onde comprar meus livros...
Também no site da Livraria Cultura
domingo, 3 de janeiro de 2010
ESQUECER, LEMBRAR E SEGUIR ADIANTE...


No último dia de 2009, no interior de São Paulo, numa velha estrada de terra de Espírito Santo do Pinhal, tentei me lembrar desse poema-manifesto escrito pelo Felipe na passagem do ano de 2008.
Uma vez mais, minhas corridas me levam para lugares remotos - não na distância, mas no lembrar e esquecer o que temos que atar e desatar na vida... Releio o poema:
"O ano de amanhã é de um querer imaginário.
Um falso desejo a ser realizado.
O amanhã a chegar e sua absurda inevitabilidade revela um saudoso ontem a se despedir.
Um infinito de pé a se deitar longe do alcance do olhar.
Mas o ano de amanhã é o verdadeiro desejo consumado na esteira do ontem.
Tão querido em esperanças que logo se converterá em feitos de feitios memoráveis.
O ontem é choro até a última gota.
Cansada e inesgotável.
Insuportável até o fim raiar.
Este ontem, tão eterno em plenitude, ficará como marca indesejada e bem quista.
E o amanhã, novo como papel em branco, inevitável e inconsequente em juventude, já carrega em si uma grisalha felicidade."
Muita gente diz que nunca devemos voltar a lugares em que fomos felizes. Como a velha máxima de que nunca mais somos os mesmos como os lugares ou os rios que fluem...
Na corrida por essa lamacenta estrada de terra, minha cunhada Kathy e eu seguimos alguns quilomentros.
Na volta, tendo avistado a antiga fazenda de meus avós, fui levada pelas pernas, pés, olhos e ouvidos a pedir licença para um tratorista que acabara de arrumar parte dos buracos provocados pelas chuvas dos últimos dias. Pedi para correr até a sede, a casa onde passei mais de trinta anos de férias e feriados desde que nasci.
A fazenda foi vendida por meu tio há alguns anos. O novo proprietário já tem muitas outras fazendas de café e gado e deve ter imaginado que dinheiro pode comprar mais que apenas terras que viram mais dinheiro e assim por diante. Inconsequente em juventude, já carrega em si uma grisalha felicidade. Não fazia a menor ideia do quanto cada pedaço daquele chão, cada cantinho daqueles terreiros, carrega histórias de insondáveis afetos!
Meus pés corriam na subida, sem nenhum esforço. Caminho percorrido milhares de vezes, à pé ou à cavalo. O tal cara tem direito de fazer o que bem entender com tudo aquilo. Pagou.
A casa está abandonada. O terraço cheio de teias de aranha e as ditas cujas tomaram conta da porta de entrada trancada, da mãozinha de latão que tantas crianças bateram um dia. Os ganchos das redes enferrujados. Foram apenas segundos para lembrar que meu avô morreu dormindo deitado numa rede ali nesse terraço. As hortências azuis da vovó sobrevivem no canteiro da frente, em meio ao mato como o azul dos olhos dela, difíceis de apagar.
O barulhinho das rodas do carrinho de chá na hora do lanche no piso de pedra irregular do terraço chega misturado ao cheirinho de café passado na hora, pãezinhos de minuto e bolo quente.
Não consegui parar. Mais alguns passos, dei a volta na casa por fora. Tudo trancado, sem vida. Na garagem, dois carros vermelhos. O quartinho de passar roupa, o escritório - trancados com cadeados e correntes. Guardam um imenso vazio.
O mato cresceu e tomou conta das primaveras, da casinha de pedra que era nosso "castelo" de dragões imaginários onde Zorros, mocinhos e bandidos se escondiam. Onde netos e netas brincaram de casinha, de passa-anel, lenço-atrás... O pomar cercado por uma cerca como as de fábricas - arames farpados em postes de concreto - mangueiras, jabuticabeiras, laranjeiras, abacateiros. Presos para sempre. O quartinho de bananas com a porta quebrada.
A única árvore do pomar que ficou do lado de fora foi a castanheira. O chão coalhado de ouriços espinhudos. Roubei meia dúzia de castanhas portuguesas com minha cunhada. Vovô não me perdoaria! Senti o cheiro da calda grossa do doce de castanhas de minha avó. Não paramos. Minha cunhada sabia que alguma coisa estava se passando, não dava para traduzir em palavras a quantidade de lembranças, de sentimentos conflitantes que essa volta provocou em mim... um saudoso ontem a se despedir.
Mudas de café espalhadas, meio jogadas, num dos terreiros. Sem viveiro. No sol a pino. Fora do lugar. O terreiro era para secar café. Grãos espalhados nas férias de julho. Montes cobertos por lonas de caminhão para não pegar o sereno que nós, moleques, transformávamos em escorregadores no final da tarde.
A escadinha de pedras brancas que eu subia pulando quase de olhos fechados. Ficava ali sentada ouvindo o barulho das formigas de um gigantesco formigueiro agora silencioso. Tudo suspenso.
No progresso que chega com a grana, arrancaram o antigo chafariz. Sei que não servia para nada, mas vivia ali sem atrapalhar ninguém, marca de um tempo em que o "buscar água" fazia parte da rotina.
Cortaram o imenso bambuzal. Não devem precisar de nenhuma vara de pescar ao menos. Devem ter essas com carretilhas de filmes de cinema. Acho que as folhas secas sujavam o chão. A velha tulha também foi ao chão com as folhas. Levantaram uma novinha. Moderna.
Derrubaram a velha cocheira. O velho estábulo. O nosso quartinho de arreios da casa amarela de tábuas lavadas. O velho sino também não está mais lá ao lado do flamboyant do vovô. Ninguém ouve mais badaladas de sino. Uma sirene deve funcionar com um timer para avisar o fim de um dia de trabalho. Ou expediente.
Voltamos correndo e depois caminhamos na subida. As casas da colônia habitadas, pelo menos.
As castanhas enroladas nas camisetas suadas. Kathy disse - que pena que cortaram o bambu, não sei por que levantaram aquela cerca cheia de arames em volta do pomar! Respondi - isso aqui não perdeu só o bambu ou o pomar, a fazenda perdeu a alma! Não falamos mais nada. O amanhã a chegar e sua absurda inevitabilidade revela um saudoso ontem a se despedir. Um infinito de pé a se deitar longe do alcance do olhar.
Neta
3 de janeiro 2010
ps- na foto do flamboyant, pode-se ver o chafariz embaixo à esquerda e no meio das folhas das árvores, meio escondido, a casinha que abrigava o sino.
domingo, 27 de dezembro de 2009
MAIS UM DOMINGO NO PARQUE


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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
COM REMETENTE
Fui lendo quase de forma compulsiva, até que percebi que não queria ir correndo daquele jeito, porque desejava degustar... degustar como se fosse uma refeição dos sonhos e maravilhosa!"
"na manhã de sábado comecei a ler o “Sem remetente”. As primeiras palavras surgiram, as linhas foram passando, páginas se seguindo, uma após a outra. E eu estava ali, fixado na leitura, mergulhado no romance. Quando cheguei aos dois terços do livro, houve uma pausa para o almoço.
Precisei sair de tarde, me senti um pouco incomodado, queria voltar para aquele universo, o que enfim aconteceu à noite e cada trecho foi saboreado até a última linha, por volta de umas dez e meia. O dia estava repleto de personagens, de fatos vividos, de segredos revelados, cabeça e mente, coração e memória, habitados por sensações, lembranças e até sentimentos imaginados.
Sim, gostei muito do livro. Achei que o ponto mais forte de todos foi a trama, urdida com muita habilidade, uma verdadeira rede de pesca, talvez mesmo como age a própria Júlia, que nos envolve e nos retém sem nos darmos conta e como no livro, estamos enredados e somos parte dele. Achei curioso, que apesar de haver a menção a uma série de episódios históricos, você não se apropriou nem utilizou a História – a do H maiúsculo – como disciplina. Ela está lá, mas misturada na farinha da vida de cada personagem. Comentei isto com algumas pessoas e disse a elas que não foi à toa que você estudou História, porque ela talvez até te ensine alguma coisa, mas acima de tudo ela expressa a forma como você pensa.
Quanto aos personagens, nenhum aparece à toa. Mesmo aqueles com participação discreta, estão ali fazendo sentido e deixam saudades quando desaparecem. E os mais importantes, aqueles com presença mais constante, bem, esses nos fazem dialogar com eles, pensar em conjunto, sentir os momentos, projetar alguma luz em partes de nossas próprias vidas.
"Oi Neta,
"Neta, bom dia. Um maço de cigarros, 1/3 de uma garrafa de uísque e, às 00:30 hs de hoje, o seu livro se foi. Estou me sentindo mais velho pois ao lê-lo senti-me em casa. Obrigado e parabéns."
"Olá Neta, estou escrevendo para dizer que adorei seu livro. Imagino que os escritores escrevam para seu próprio deleite e para compartilhar a experiência com os leitores, e isso você conseguiu, ao falar de sentimentos tão universais e coisas tão próximas a nós, cinquentões/sessentões brasileiros.
"Neta querida, tudo bom? "Devorei" o livro no fim de semana.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
PICHAÇÃO 2

Na volta da corrida no sábado pela Cidade Universitária, uma frase pichada em spray preto na calçada sentido Butantã-Praça Panamericana.



