domingo, 7 de fevereiro de 2010

Novo sertanejo



Confesso que o termo "Música Sertaneja" provocava em mim um certo preconceito. 

Um show de quase três horas com Renato Teixeira e Sérgio Reis mudou a imagem preconcebida do que eu achava que era brega, caipira e ultrapassado. Ouvir Romaria e Menino da Porteira num teatro gigantesco e lotado faz qualquer um se emocionar. O velho Tinoco estava na plateia, no meio de todos, simples como se podia ouvir nas rádios nos anos 50 - o som das violas com muitos chiados. 

A música sertaneja do século XXI assimilou a geração dos filhos de Sérgio Reis e Renato Teixeira e mostra um Brasil de raízes no passado com poesia vinda da alma. 



Romaria
Composição: Renato Teixeira

É de sonho e de pó, o destino de um só

Feito eu perdido em pensamentos

Sobre o meu cavalo

É de laço e de nó, de gibeira o jiló, 

Dessa vida cumprida a sol

Sou caipira, Pirapora Nossa

Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura e funda

O trem da minha vida

O meu pai foi peão, minha mãe solidão

Meus irmãos perderam-se na vida

Em busca de aventuras

Descasei, joguei, investi, desisti

Se há sorte eu não sei, nunca vi

Me disseram porém que eu viesse aqui

Pra pedir de romaria e prece

Paz nos desaventos

Como eu não sei rezar, só queria mostrar

Meu olhar, meu olhar, meu olhar

acústico Renato Teixeira http://www.youtube.com/watch?v=Cndg4_2ZQQM

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

INSPIRAÇÃO



A fotografia de Ed Ferreira publicada no Caderno Metrópole do Estadão de hoje, 4a feira, 3 de fevereiro de 2010, serve de inspiração para os que estão lá dentro do Congresso. Para bom entendedor...

Neta

para ver  foto ampliada, é só clicar em cima

domingo, 17 de janeiro de 2010

IMAGENS DE UM FILME


Muito recomendado por uma amiga, fomos assistir ao filme "Hanami, Cerejeiras em Flor" da diretora alemã Doris Dorrie, uma co-produção da França e Alemanha de 2008. Desses filmes que recebem críticas negativas por quem não tem sonhos, quem nunca chorou de saudades, nunca apreciou um por do sol. Criticam a sensibilidade simplesmente.

Nos primeiros minutos do filme, sem entender nada de alemão, meus sentidos foram tomados pela fotografia que, como um slideshow, revela a pequena rotina de um casal numa também pequena cidade alemã. Casas, jardins, ruelas, montanhas, árvores, muito verde. A lentidão europeia que não existe no cinema americano...

Em torno dos sessenta e poucos anos, o casal Trudi e Rudi, intrepretados por Hannelore Elsner e Elmar Wepper, mora numa casa antiga, com muita madeira. Interessante perceber que ao entrar em casa, cada um tira o casaco pesado de inverno e veste um cardigã de tricô de lã. Sinal de que a calefação dentro de casa não é muito forte. Trocam os sapatos por chinelos de flanela, típicos de países com inverno rigoroso.

Nessa primeira cena que mostra a chegada do marido em casa, Trudi ajuda-o a trocar o casaco e os sapatos. Não dá para saber se ela o recebe assim todos os dias. Parece inviável. Ela acaba de saber pelos médicos do marido que ele tem uma doença terminal, mas decide não contar nada. É uma mulher interessante, apaixonada pela cultura japonesa, pelo butô, espécie de dança e teatro. Tem um sonho de conhecer o Japão e o Monte Fuji e esperava convencer o marido a fazer uma viagem um dia. Juntos.

Para Rudi, a vida segue dentro de horários rígidos. Rotina que não pode ser mudada. O mesmo sanduíche no almoço. A maçã que a mulher pensa que ele come todos os dias pontualmente. Viajar para o Japão é coisa de quem não tem o que fazer. Trudi convence Rudi a visitar os filhos adultos em Berlim. Um passeio para descansar. Um dos filhos mora em Tóquio, lugar que a mãe cultiva em fotos, livros e dançando com um quimono japonês florido. Uma gueixa alemã...

Berlim quebra a fotografia do início do filme. O movimento, o barulho, as grandes construções - são o oposto da vida do casal no interior. Assim também são os filhos. Recebem os pais como intrusos, desconhecidos. Que saco!

O que fazer com dois velhos que mal conhecem os netos vira um problema para o casal de filhos e as duas noras. Parecem aceitar a mulher da filha como a outra nora. É a nora, mulher da filha, a única a perceber que os dois viajaram até lá por algum motivo, é ela quem os leva para conhecer a cidade. Leva a sogra a uma apresentação de butô e se emociona com a emoção dela... Como os filhos não têm tempo, nem físico nem emocional para os pais, eles vão passar alguns dias no litoral.

Passeiam pela praia de roupa, dividem o casaco de tricô azul de Trudi (que deve ter sido feito por ela). O casaco assume um papel forte a partir daí - Trudi morre dormindo. Os filhos não sabem o que fazer com Rudi. Se fosse a mãe que tivesse ficado - dizem - tudo seria mais fácil. As mulheres estão mais preparadas para ficar sozinhas. Não sei. Nunca se está preparado para ficar só.

Rudi volta para a casa vazia. Os chinelos de Trudi, o casaco de tricô, o colar. Ele nunca tinha reparado nas fotos e livros sobre o Japão. Na verdade, parece que não conhecia nada de Trudi. O quimono e o casaco de tricô ocupam o lugar vazio na cama. No choro desconsolado de Rudi. Tudo perde o sentido - a rotina, a casa, o trabalho.

No que pode ser chamado de 3a parte do filme, Rudi vai para Tóquio ficar com o filho Karl. Como um estorvo, Rudi passa vários dias preso no apartamento pequeno da metrópole em que só vê prédios, trens, metrôs. Não consegue ler nenhuma placa...

No meio desse país que nada tem a ver com sua cidadezinha alemã, Rudi conhece uma adolescente que dança butô no parque das cerejeiras em flor. O que a mulher sempre sonhou conhecer. É essa menina, chamada Yu, que em inglês tem o significado de you-você, que acolhe Rudi. Ela acaba de perder a mãe e mora na rua (o que esconde de Rudi).

O encontro de Rudi com Yu mostra como culturas tão diferentes lidam com a morte e a dor de perder alguém para sempre. O olhar de Yu, como o de Trudi, revela o que a ingenuidade pode fazer pelo outro - Yu é esse You. Tem o olhar altruista de quem sabe o que é ser ajudado. Um filme poético, perturbador. Como a vida e a morte.

Neta
17 de janeiro 2010

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Onde comprar meus livros...

Tenho recebido e-mails de pessoas que moram fora de São Paulo e querem comprar meus livros.

Tanto o SEM REMETENTE como o PAULICEIA IGNORADA podem ser comprados pela internet no site da Livraria Asabeça


Também no site da Livraria Cultura



Obrigada pela divulgação.
Neta

domingo, 3 de janeiro de 2010

ESQUECER, LEMBRAR E SEGUIR ADIANTE...


No último dia de 2009, no interior de São Paulo, numa velha estrada de terra de Espírito Santo do Pinhal, tentei me lembrar desse poema-manifesto escrito pelo Felipe na passagem do ano de 2008.

Uma vez mais, minhas corridas me levam para lugares remotos - não na distância, mas no lembrar e esquecer o que temos que atar e desatar na vida... Releio o poema:

"O ano de amanhã é de um querer imaginário.

Um falso desejo a ser realizado.

O amanhã a chegar e sua absurda inevitabilidade revela um saudoso ontem a se despedir.

Um infinito de pé a se deitar longe do alcance do olhar.

Mas o ano de amanhã é o verdadeiro desejo consumado na esteira do ontem.

Tão querido em esperanças que logo se converterá em feitos de feitios memoráveis.

O ontem é choro até a última gota.

Cansada e inesgotável.

Insuportável até o fim raiar.

Este ontem, tão eterno em plenitude, ficará como marca indesejada e bem quista.

E o amanhã, novo como papel em branco, inevitável e inconsequente em juventude, já carrega em si uma grisalha felicidade."

Muita gente diz que nunca devemos voltar a lugares em que fomos felizes. Como a velha máxima de que nunca mais somos os mesmos como os lugares ou os rios que fluem...

Na corrida por essa lamacenta estrada de terra, minha cunhada Kathy e eu seguimos alguns quilomentros.

Na volta, tendo avistado a antiga fazenda de meus avós, fui levada pelas pernas, pés, olhos e ouvidos a pedir licença para um tratorista que acabara de arrumar parte dos buracos provocados pelas chuvas dos últimos dias. Pedi para correr até a sede, a casa onde passei mais de trinta anos de férias e feriados desde que nasci.

A fazenda foi vendida por meu tio há alguns anos. O novo proprietário já tem muitas outras fazendas de café e gado e deve ter imaginado que dinheiro pode comprar mais que apenas terras que viram mais dinheiro e assim por diante. Inconsequente em juventude, já carrega em si uma grisalha felicidade. Não fazia a menor ideia do quanto cada pedaço daquele chão, cada cantinho daqueles terreiros, carrega histórias de insondáveis afetos!

Meus pés corriam na subida, sem nenhum esforço. Caminho percorrido milhares de vezes, à pé ou à cavalo. O tal cara tem direito de fazer o que bem entender com tudo aquilo. Pagou.

A casa está abandonada. O terraço cheio de teias de aranha e as ditas cujas tomaram conta da porta de entrada trancada, da mãozinha de latão que tantas crianças bateram um dia. Os ganchos das redes enferrujados. Foram apenas segundos para lembrar que meu avô morreu dormindo deitado numa rede ali nesse terraço. As hortências azuis da vovó sobrevivem no canteiro da frente, em meio ao mato como o azul dos olhos dela, difíceis de apagar.

O barulhinho das rodas do carrinho de chá na hora do lanche no piso de pedra irregular do terraço chega misturado ao cheirinho de café passado na hora, pãezinhos de minuto e bolo quente.

Não consegui parar. Mais alguns passos, dei a volta na casa por fora. Tudo trancado, sem vida. Na garagem, dois carros vermelhos. O quartinho de passar roupa, o escritório - trancados com cadeados e correntes. Guardam um imenso vazio.

O mato cresceu e tomou conta das primaveras, da casinha de pedra que era nosso "castelo" de dragões imaginários onde Zorros, mocinhos e bandidos se escondiam. Onde netos e netas brincaram de casinha, de passa-anel, lenço-atrás... O pomar cercado por uma cerca como as de fábricas - arames farpados em postes de concreto - mangueiras, jabuticabeiras, laranjeiras, abacateiros. Presos para sempre. O quartinho de bananas com a porta quebrada.

A única árvore do pomar que ficou do lado de fora foi a castanheira. O chão coalhado de ouriços espinhudos. Roubei meia dúzia de castanhas portuguesas com minha cunhada. Vovô não me perdoaria! Senti o cheiro da calda grossa do doce de castanhas de minha avó. Não paramos. Minha cunhada sabia que alguma coisa estava se passando, não dava para traduzir em palavras a quantidade de lembranças, de sentimentos conflitantes que essa volta provocou em mim... um saudoso ontem a se despedir.

Mudas de café espalhadas, meio jogadas, num dos terreiros. Sem viveiro. No sol a pino. Fora do lugar. O terreiro era para secar café. Grãos espalhados nas férias de julho. Montes cobertos por lonas de caminhão para não pegar o sereno que nós, moleques, transformávamos em escorregadores no final da tarde.

A escadinha de pedras brancas que eu subia pulando quase de olhos fechados. Ficava ali sentada ouvindo o barulho das formigas de um gigantesco formigueiro agora silencioso. Tudo suspenso.

No progresso que chega com a grana, arrancaram o antigo chafariz. Sei que não servia para nada, mas vivia ali sem atrapalhar ninguém, marca de um tempo em que o "buscar água" fazia parte da rotina.

Cortaram o imenso bambuzal. Não devem precisar de nenhuma vara de pescar ao menos. Devem ter essas com carretilhas de filmes de cinema. Acho que as folhas secas sujavam o chão. A velha tulha também foi ao chão com as folhas. Levantaram uma novinha. Moderna.

Derrubaram a velha cocheira. O velho estábulo. O nosso quartinho de arreios da casa amarela de tábuas lavadas. O velho sino também não está mais lá ao lado do flamboyant do vovô. Ninguém ouve mais badaladas de sino. Uma sirene deve funcionar com um timer para avisar o fim de um dia de trabalho. Ou expediente.

Voltamos correndo e depois caminhamos na subida. As casas da colônia habitadas, pelo menos.

As castanhas enroladas nas camisetas suadas. Kathy disse - que pena que cortaram o bambu, não sei por que levantaram aquela cerca cheia de arames em volta do pomar! Respondi - isso aqui não perdeu só o bambu ou o pomar, a fazenda perdeu a alma! Não falamos mais nada. O amanhã a chegar e sua absurda inevitabilidade revela um saudoso ontem a se despedir. Um infinito de pé a se deitar longe do alcance do olhar.

Neta

3 de janeiro 2010

ps- na foto do flamboyant, pode-se ver o chafariz embaixo à esquerda e no meio das folhas das árvores, meio escondido, a casinha que abrigava o sino.

domingo, 27 de dezembro de 2009

MAIS UM DOMINGO NO PARQUE



No último domingo de 2009, depois de levar meu filho caçula até a Estação Vila Madalena onde pegaria o metrô para o terminal Tietê, voltei para casa numa Heitor Penteado deserta. Coisa impensável em qualquer dia do ano.

Gravei a cena do meu filho subindo as escadas da estação com imenso mochilão nas costas e uma disposição bem maior que a mochila para enfrentar o busão até o sul da Bahia! Nada como ter vinte e poucos anos...

Resolvi aproveitar que a cidade parecia tranquila para correr no Parque Villa Lobos. Saí já correndo de casa com meu ipod meio velhinho lotado de músicas. Por um tempo, virou back up de todo o arsenal de músicas de casa. De Beatles a Altemar Dutra, de Adoniran a Led Zeppelin. Tenho que limpar para ouvir só o que gosto, o que só lembro quando estou no meio da corrida!

Descobri que o parque estava lotado. Claro. Um dia quente, abafado até. Para onde iriam todas as pessoas que não fugiram da cidade porque têm que trabalhar até o dia 31 ou que não têm para onde viajar?

Para onde iriam os pais com filhos que acabaram de ganhar a primeira bicicleta? O primeiro par de patins com direito a capacete, cotoveleira e joelheira? Os que, como eu, queriam queimar a culpa do peso extra dos perus, tenders, bolos de nozes com fios de ovos, proseccos, cervejas e chocolates? Aqueles que, pela primeira vez, decidiram que começariam a caminhar ou correr como meta de fim de ano? O parque estava lotado. Um domingo no parque como o do Gil, sem carrossel e roda gigante... Mas foi um domingo muito diferente dos outros.

Cachorros de todas as raças puxando os donos pelas coleiras. Crianças com filhotes que devem ter ganho de Natal. Eu me lembrei da minha primeira bicicleta verde que ganhei num Natal no começo dos anos 60, talvez em 1960 mesmo... O tempo passa torcida brasileira!

Passo ritmado, fui escutando velhos sucessos - A horse with no name, Angela Ro Ro cantando Cazuza - a vida do meu filho desde o fim até o começo... Raindrops keep falling on my head. Seria 1968 ou pouco antes do filme Butch Cassidy com Paul Newman, Robert Redford e Katharine Ross. Todas as meninas tinham inveja dela - dois homens como aqueles, lindos de morrer, só para ela. Era demais. Tive muitos cadernos encapados com fotos dos dois atores.

Prestei atenção em muita gente hoje. O fim do ano parece ter trazido esperança, as pessoas estavam ali com filhos pequenos, avós, amigos - com uma cara feliz.

Ouvi Por una Cabeza do filme Perfume de Mulher. Como esquecer Al Pacino cego dançando aquele tango... Fui apertando a tecla "skip" para ouvir só o que queria. Nos Beatles, parei. Não me canso de Yesterday, A hard days nigth, A little help from my friends, Hey Jude.

Na letra C, Cat Stevens canta Morning has broken... Vejo um pai empurrando um carrinho de nenê que foi meu sonho nos anos 80 - três rodas pequenas de bicicleta - ideal para correr... Papagaios enormes que chamam kites como em ingles, nos céus do parque apesar da proibição. Parece difícil proibir a felicidade de empinar um papagaio!

Voltei mais leve. Não no peso do corpo. Eu me senti parte integrante da minha cidade - ali no parque não importa quem você é, se tem dinheiro no bolso. A esperança visível nas mãos dadas de pais e filhos, nas barrigas grávidas que verão 2010, nos velhos caminhando pela sombra do parque, namorados abraçados. Pessoas comuns. Da velha música dos Golden Boys, que acho não está no meu ipod - era só mais um alguém na multidão...

Neta
27 de dezembro 2009


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

COM REMETENTE



Nos últimos dias do ano dá sempre aquele aperto ao lembrar que no ano anterior prometemos a nós mesmos milhares de coisas.

Cumprimos uma parte, outras alguém cumpriu ou ajudou a cumprir porque não demos conta e outras, ficaram esquecidas. Parece que nos impomos mais do que podemos, metas inalcançáveis. Esquecemos metas que estão bem pertinho, do ladinho, no nosso nariz.

Durante muitos meses mergulhei na feitura do meu livro Sem Remetente. Deixei alguns amigos para trás que consegui colher no lançamento. Tenho recebido muitas mensagens maravilhosas dos que estão lendo ou já leram o livro.

Como mensagem de fim de ano, desejo que todas as conquistas do próximo ano venham sempre com remetente: "nunca deixe uma carta sem resposta, todo afeto deve ser correspondido".

Copio alguns trechos para dividir com vocês os presentes que recebi:

"Estou adorando o livro. Não consigo parar de ler. Estou na p.215 e com pena de estar no fim..."

"Estou terminando de ler o livro, estou encantada. A história é muito boa, gostei do uso que você faz da memória com as cartas que ajudam a ligar o passado e o presente. A justaposição de momentos diferentes da vida de Julia e de fatos da História de nosso país, de São Paulo e da Europa me agrada muito. Enfim, estou tendo muito prazer na leitura e só sinto ter que interrompê-la para dar conta de minhas atividades. É um livro que não dá para parar de ler. Beijos"

"Seu livro é delicioso!!!! “cabelo com cara de entrei na USP” é sensacional!

Comecei a ler logo no dia seguinte, entre um paciente e outro, rezando pra que atrasassem pra me dar mais tempo!

Fui lendo quase de forma compulsiva, até que percebi que não queria ir correndo daquele jeito, porque desejava degustar... degustar como se fosse uma refeição dos sonhos e maravilhosa!"


"Comecei a ler e quase terminei. Digo quase poque estou "economizando".
Eu realmente gostei.Tudo é muito interessante, a informação histórica entra de forma calma, pertinente e super bem colocada. A descrição de hábitos e costumes de epóca são deliciosas. Os personagens bem montados!"

"na manhã de sábado comecei a ler o “Sem remetente”. As primeiras palavras surgiram, as linhas foram passando, páginas se seguindo, uma após a outra. E eu estava ali, fixado na leitura, mergulhado no romance. Quando cheguei aos dois terços do livro, houve uma pausa para o almoço.

Precisei sair de tarde, me senti um pouco incomodado, queria voltar para aquele universo, o que enfim aconteceu à noite e cada trecho foi saboreado até a última linha, por volta de umas dez e meia. O dia estava repleto de personagens, de fatos vividos, de segredos revelados, cabeça e mente, coração e memória, habitados por sensações, lembranças e até sentimentos imaginados.

Sim, gostei muito do livro. Achei que o ponto mais forte de todos foi a trama, urdida com muita habilidade, uma verdadeira rede de pesca, talvez mesmo como age a própria Júlia, que nos envolve e nos retém sem nos darmos conta e como no livro, estamos enredados e somos parte dele. Achei curioso, que apesar de haver a menção a uma série de episódios históricos, você não se apropriou nem utilizou a História – a do H maiúsculo – como disciplina. Ela está lá, mas misturada na farinha da vida de cada personagem. Comentei isto com algumas pessoas e disse a elas que não foi à toa que você estudou História, porque ela talvez até te ensine alguma coisa, mas acima de tudo ela expressa a forma como você pensa.

Quanto aos personagens, nenhum aparece à toa. Mesmo aqueles com participação discreta, estão ali fazendo sentido e deixam saudades quando desaparecem. E os mais importantes, aqueles com presença mais constante, bem, esses nos fazem dialogar com eles, pensar em conjunto, sentir os momentos, projetar alguma luz em partes de nossas próprias vidas.

“Sem remetente” fará parte de meus presentes de Natal, um jeito oportuno que dezembro nos oferece de repassar aos amigos essa experiência estética, esse sabor da vida.

Que venham mais, muitos outros, pois certamente haverá leitores ávidos."


"Oi Neta,

Acabei de ler seu livro, chorando de emoção. Que orgulho de ser sua prima! Tudo que desejo para você é que escreva mais e mais."

"Neta, bom dia. Um maço de cigarros, 1/3 de uma garrafa de uísque e, às 00:30 hs de hoje, o seu livro se foi. Estou me sentindo mais velho pois ao lê-lo senti-me em casa. Obrigado e parabéns."


"Olá Neta, estou escrevendo para dizer que adorei seu livro. Imagino que os escritores escrevam para seu próprio deleite e para compartilhar a experiência com os leitores, e isso você conseguiu, ao falar de sentimentos tão universais e coisas tão próximas a nós, cinquentões/sessentões brasileiros.

Parabéns mais uma vez, e já estou aguardando o próximo."


"Neta querida, tudo bom? "Devorei" o livro no fim de semana.

As figuras femininas são muito fortes, tenho preferencia pela Elvira e seu relacionamento com Otávio.
Entre tantas coisas que tenho vontade de falar sobre o livro, ressalto essa: durante quase toda a leitura, você não me saía da cabeça, às vezes até "atrapalhava". Me vinha o pensamento: por que a Neta escreveu essa parte desse jeito? No que ela estava pensando? Em quem ela estava pensando? E por aí vai.
Não sei se a leitura de romance escrito por uma amiga provoca essas sensações em quem lê...fiquei pensando por que eu não conseguia separar a autora, da Neta que conheço."

Obrigada a todos e um 2010 com muitos remetentes...

Neta
18 de dezembro 2009

ps - não poderia deixar de escrever um PS: as fotos eram um estudo para a capa do livro, mas a Marina iluminou a contracapa com aquela árvore maravilhosa e não pude resistir. Deu alma ao livro!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

PICHAÇÃO 2


Na volta da corrida no sábado pela Cidade Universitária, uma frase pichada em spray preto na calçada sentido Butantã-Praça Panamericana.

"Chamam violento o rio que arrasta tudo, mas não as margens que o comprimem"

O rio Pinheiros ali ao lado, imundo, fétido, morto. Garrafas pet boiando, água parada, marrom.
Voltei tentando decorar a frase, repeti muitas vezes. Para ter certeza de que escreveria aqui a frase inteira, pedi para meu marido que corre por lá também no domingo, confirmar e ele anotou para mim.

Quem terá sido o autor da frase? Sem o rio ao lado, ela tem mil significados. Mais uma pichação filosófica...

Neta
16 dezembro 2009