
Domingo 2 de dezembro. O relógio Dimep digital com o logo do Governo do Estado de São Paulo, perto da entrada principal do Parque Villa Lobos marca 12:27 e 32 – trinta e dois graus centígrados. Os vendedores ambulantes estão do lado de fora.
Num domingo normal, as pessoas que freqüentam o parque conhecem os caminhos, os bebedouros, os banheiros. Hoje não. Carros, bicicletas e pedestres com carrinhos de criança tentavam achar a entrada do parque, o lugar do show.
Diana começa a cantar ao meio dia. As pessoas estão no parque desde as 10 – horário marcado. Claro que a pianista e cantora não sabe as condições que os comuns enfrentam. Entra no palco, eu não vi, só escutei, agradece ao publico brasileiro – é uma honra tocar e cantar para vocês nesse parque! Thank you Diana. Quem sabe um telão para os baixinhos como eu poderem ver o rosto dela. Sempre vai bem. A empresa promotora poderia ter providenciado. Detesto esse verbo, como se tudo fosse possível de se providenciar.
Meus pés me avisam, no começo da corrida, que as fatídicas bolhas já voltaram. O atrito da sola do pé com a meia no verão é fatal. Estréia de um par de meias anti-bolhas – foot spa. Já era. Nem pensar em corrida durante uma semana! Alguns dias de havaianas para mudar o lugar das bolhas.
Você acredita em propaganda? Tudo bem, tenho uma filha publicitária. Pois a empresa que promove o show não pensou no público. O verão não chegou com tudo ainda. Os bebedouros com água (quase) quente, eu tomei uns goles no meio da corrida. As sombras das árvores perto do palco apinhadas de gente. O palco foi montado na parte mais nova do parque e mais árida também. Será que não podem plantar uma fileira de eucaliptos nesse espaço enorme do Villa Lobos? Sei, o eucalipto não é árvore nobre, é um pixulé que estraga tudo embaixo! Mas dá uma sombra rápida.
O Greenpeace lá representado, com um imenso caminhão pintado com chamas de fogo. Sabe aqueles monstros que disputam corridas nos EUA? Um daqueles com um enorme tronco de árvore – que seria da Amazônia. Avisos de devastação do planeta pedem a sobrevivência da floresta. Eles estavam numa sombrinha gostosa, passei correndo ao lado do truck – uma barraca com gente vestindo a camiseta da ONG. Também luto por menos destruição. Por que eles não incentivaram todo o público a comparecer a pé ou de bicicleta? Por que não colocaram ônibus patrocinados pela empresa do show? Todas as ruas que cercam o parque tomadas por carros. Poluindo tudo em volta.
Pelo menos ouvi algumas músicas do – from this moment on. Deixei o ipod em casa. Não sou muito fã de jazz e acho que muita gente ali também não, mas é tão difícil um show assim de graça que a gente tem que aproveitar!
E ouvi trechos de conversas muito interessantes. Na praça da entrada, cartazes e fotos contam a história de Villa Lobos. Instrumentos de percussão criados para estimular crianças que visitam o parque. Um senhor bem vestido comenta – que legal, deve ser a vida do Villa Lobos, não sabia que o parque era tão bem montado! Um pai de bicicleta com o filho na cadeirinha vê os borrifadores de água e entra na fila – olha filho, quer um jatinho dessa água? Um grupo de descolados que nunca vai a parques – não sabia que tinha quadras de tênis tão boas nesse parque! E tem um campo de futebol com grama e tudo. Um campo não, tem vários.
Uma pena que só pensamos nisso quando vêm um artista de fora. Quando morava perto do Ibirapuera, assisti a tantos shows – Tom Jobim, Gil, Gal, Milton Nascimento, Djavan e várias orquestras. Que saudades!
Neta Mello
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